Flávio Dino e o gato de Schrödinger

O GATO DE SCHRÖDINGER está dentro de uma caixa à mercê da incerteza energética da mecânica quântica. Logo, pelo nosso senso comum, aqui de fora, nunca sabemos se o gato está vivo ou morto. A única certeza, neste caso, é a dúvida, o paradoxo. Isso, leigamente falando, lembra o comportamento das nuvens, sempre instáveis, e da política, sempre flertando o imponderável; lembrando, portanto, o governador Flávio Dino que acaba de dar o PULO DO GATO DE SCHRÖDINGER, quando salta do PCdoB para o PSB, fazendo malabarismo sem rede de proteção.

   Esse salto mortal triplo carpado de Flávio Dino, em tempos de Olimpíadas, pode levá-lo a novos recordes dos seus sonhos de poder, mas pode, também, arremessá-lo na roleta-russa de um salto no escuro, onde a única certeza é de que nunca mais suas convicções políticas serão como antes, deixando muitos aliados órfãos, perdidos e, consequentemente, logo logo achados por outros líderes interessados no estouro da mudança.

  Não dá para se fazer um Strike sem embaralhar os pinos do jogo, ou fazer omelete sem quebrar os ovos, como dizia a vovó. Antes desse salto do GATO DE SCHRÖDINGER, Flávio Dino jogava boliche, mais previsível de saber-se sobre causa e efeito. Depois do salto do GATO DE SCHRÖDINGER, ele jogará pinball, mais difícil de saber onde a bolinha se posicionará na modernidade líquida de Zygmunt Bauman, tudo fragmentado, pulverizado e dessincronizado.

    Antes, no comando do PCdoB, o governador Flávio Dino era uma estrela solitária, o rei Sol, aglutinando o seu grupo e aliados, sob sua atração gravitacional. Agora, deslocado dessa órbita, fará parte de uma constelação, deixará de ser protagonista para ser coadjuvante, no script de novos diretores, em mares turvos, infestados de tubarões. O governador Flávio Dino escolheu Alexandre, o Grande (A sorte favorece os destemidos e ousados), e não Júlio César (Melhor ser o primeiro numa província do que ser o segundo em Roma).

   No entanto, finalmente, é bom lembrar que Deus não joga dados (Einstein), e supor-se que o professor de Deus, também não. Vai que, pela lei de Murphy, esse gato não é o de SCHRÖDINGER, mas aquele negro gato da vovó que ao cair de qualquer muro, obstáculo ou trapézio sempre cai de pé. A política, às vezes, é também a arte do possível, em pleno acordo com a maçã tridimensional de Isaac Newton. Mas o governador Flávio Dino, nessa metamorfose ambulante, sabe disso; ele nasceu dez mil anos atrás… não é mesmo, Raul Seixas?

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